domingo, 16 de abril de 2017

As diferenças entre as Bíblias Católica e Protestante

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O Concílio de Trento e as diferenças entre as Bíblias “Católica” e “Protestante”

O Concílio de Trento foi o 19º conselho ecumênico reconhecido pela Igreja Católica Romana. Foi convocado pelo papa Paulo III, em 1542, e durou entre 1545 a 1563. Teve este nome, pois foi realizado na cidade de Trento, região norte da Itália.
O Concílio de Trento foi uma reação da Igreja Católica à Reforma Protestante, iniciada por Martinho Lutero na primeira metade do século XVI. Com o crescimento do protestantismo na Europa, a Igreja Católica buscou uma reação, que ficou conhecida historicamente como Contra-Reforma.
Muitas decisões foram tomadas neste concílio, tais como: Condenação à venda de indulgências (um dos principais motivos da Reforma Protestante, que foi duramente questionada por Martinho Lutero), reafirmação a doutrina da infalibilidade papal, confirmação da existência do purgatório, confirmação dos sete sacramentos, entre outras. Foi neste concílio também em que a Igreja Católica acrescentou 7 livros no Antigo Testamento, que não são reconhecidos nem pelos judeus nem pelos protestantes. Esses livros são conhecidos pelos católicos como “deuterocanônicos” (segundo cânon, reconhecidos como inspirados mais tarde) e pelos protestantes pelo termo de “apócrifos” (oculto, sem inspiração). São eles:
  1. Tobias;
  2. Judite;
  3. 1ª Macabeus;
  4. 2ª Macabeus;
  5. Sabedoria de Salomão;
  6. Eclesiástico (ou Sirácida) – *Não confundir com Eclesiastes;
  7. Baruc.
Além disso, os apócrifos incluem adições:
Ao livro de Ester:
  • No capítulo 10, do versículo 4 em diante;
E ao livro de Daniel:
  • O chamado “Cântico de Azarias”, no capítulo 3, dos versículos 24 ao 90;
  • A história conhecida como “A fiel Susana”, no capítulo 13;
  • E a história de “Bel e o Dragão”, no capítulo 14.
Portanto, a Bíblia católica tem 46 livros no Antigo Testamento (7 apócrifos) e 27 no Novo Testamento, totalizando 73 livros, diferentemente da Bíblia protestante, que tem 39 livros no Antigo Testamento e 27 no Novo Testamento, somando 66 livros.
Mas por que esses acréscimos ao Antigo Testamento não são aceitos pelos protestantes? Porque esses livros contêm ensinamentos que contrariam os demais livros, unanimemente aceitos como inspirados, tanto por católicos quanto por protestantes (e judeus!).
Vejamos alguns exemplos das heresias, mitos, lendas e absurdos desses livros:

Heresias:

Artes mágicas e feitiçaria como método de exorcismo:
“Então disse o anjo: Tira as entranhas a esse peixe, e guarda, porque estas coisas te serão úteis. Feito isto, assou Tobias parte de sua carne, e levaram-na consigo para o caminho; salgaram o resto, para que lhes bastassem até chegassem a Ragés, cidade dos Medos. Então Tobias perguntou ao anjo e disse-lhe: Irmão Azarias, suplico-lhe que me digas de que remédio servirão estas partes do peixe, que tu me mandaste guardar: E o anjo, respondendo, disse-lhe: Se tu puseres um pedacinho do seu coração sobre brasas acesas, o seu fumo afugenta toda a casta de demônios, tanto do homem como da mulher, de sorte que não tornam mais a chegar a eles. E o fel é bom para untar os olhos que têm algumas névoas, e sararão.” (Tobias 6:5-9)
Tal ensino não é dado em nenhuma outra parte das Escrituras. O coração de um peixe não possui poder mágico e sobrenatural para espantar “toda a casta de demônios”. É inexplicável acreditar-se que Deus tivesse mandado a um de Seus anjos dar a Tobias ou a algum outro homem o conselho de praticar semelhante arte feiticeira.
Satanás não pode ser expulso por algum truque. Qualquer pessoa que pretenda usar alguma das artes aludidas para executar coisas sobrenaturais não procede de acordo com os 66 livros dos Escritos Inspirados.
Em Marcos 16:17, Jesus disse: “Estes sinais acompanharão os que crerem: em meu nome expulsarão demônios…”. Em Atos 16:18, Paulo mandou o espírito de adivinhação sair de uma mulher em nome de Jesus Cristo: “…Paulo ficou indignado, voltou-se e disse ao espírito: ‘Em nome de Jesus Cristo eu lhe ordeno que saia dela!’ No mesmo instante o espírito a deixou”. Ela foi livrada do poder maligno em nome de Jesus. Tudo isso não se harmoniza com os escritos de Tobias.

Oração perdoa pecados:
“Quem amar a Deus, receberá perdão de Seus pecados pela oração.” (Eclesiástico 3:4)
Os pecados não se perdoam pela oração. Se fosse assim, não teríamos necessidade de Jesus. Muitos povos pagãos fazem orações, mas os pecados não se perdoam somente pela oração. É necessário acreditar em Jesus, se arrepender dos pecados, confessá-los, abandoná-los, e aceitar o batismo para obter o perdão dos pecados: “Pedro respondeu: ‘Arrependam-se, e cada um de vocês seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos seus pecados, e receberão o dom do Espírito Santo’” (Atos 2:38).

Esmolas e sabedoria como métodos de salvação:
“É boa a oração acompanhada do jejum, dar esmola vale mais do que juntar tesouros de ouro; porque a esmola livra da morte (eterna), e é a que apaga os pecados, e faz encontrar a misericórdia e a vida eterna.” (Tobias 12:8-9)
“Assim se tornaram direitas as veredas dos que estão na terra; os homens aprenderam as coisas que vos agradam e pela sabedoria foram salvos.” (Sabedoria 8:19)
Se ofertas caridosas e sabedoria pudessem expiar os nossos pecados, não teríamos necessidade do sangue de Jesus Cristo.
“Pois vocês sabem que não foi por meio de coisas perecíveis como prata ou ouro que vocês foram redimidos da sua maneira vazia de viver que lhes foi transmitida por seus antepassados, mas pelo precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro sem mancha e sem defeito, conhecido antes da criação do mundo, revelado nestes últimos tempos em favor de vocês.” (1 Pero 1:18-20)
A Bíblia diz que a salvação é uma graça acessível por meio da fé (Efésios 2:8). Ela não pode ser alcançada por meio de obras (Efésios 2:9). As boas obras devem ser praticadas para o aperfeiçoamento da fé que salva (Efésios 2:10; Tiago 2:22), e não como método para alcançar a salvação.

Oração pelos mortos:
“E tendo feito uma coleta, mandou doze mil dracmas de prata a Jerusalém, para serem oferecidas em sacrifícios pelos pecados dos mortos, sentindo bem e religiosamente a ressurreição, (porque, se ele não esperasse que os que tinham sido mortos, haviam um dia de ressuscitar, teria por uma coisa supérflua e vã orar pelos defuntos); e porque ele considerava que aos que tinham falecido na piedade estava reservada uma grandíssima misericórdia. É, pois, um santo e salutar pensamento orar pelos mortos, para que sejam livres dos seus pecados.” (2ª Macabeus 12:43-46)
Entretanto, é inútil orar pelos mortos, pois o que determina a salvação ou perdição eterna de uma pessoa são as escolhas que ela toma em vida, e não depois da morte. Afinal, “o homem está destinado a morrer uma só vez e depois disso enfrentar o juízo” (Hebreus 9:27).

Purgatório:
“As almas dos justos estão na mão de Deus, e não os tocará o tormento da morte. Pareceu aos olhos dos insensatos que morriam; e a sua saída deste mundo foi considerada como uma aflição, e a sua separação de nós como um extermínio; mas eles estão em paz (no Céu). E, se eles sofreram tormentos diante dos homens, a sua esperança está cheia de imortalidade.” (Sabedoria 3:1-4)
A Igreja Católica baseia a sua crença da doutrina do purgatório nestes versículos citados: “os tormentos” nos quais se acham os “justos”, diz a Igreja Católica, referem-se ao fogo do purgatório, onde os pecados estão sendo expiados. “A sua esperança está cheia de imortalidade”, pois, segundo a igreja, após o tempo suficiente de sofrimento no meio do fogo, poderão passar para o céu. Por isso, é recomendado que se faça orações pelas “almas no purgatório”.
Essa doutrina não somente contraria Bíblia, que diz que “o homem está destinado a morrer uma só vez e depois disso enfrentar o juízo” (Hebreus 9:27), como também nega a suficiência do sacrifício de Cristo. Dizer que uma pessoa pode pagar pelos próprios pecados num purgatório para então entrar no Céu claramente é um ensinamento contrário às Escrituras. Jesus disse: “Se vocês não crerem que Eu Sou, de fato morrerão em seus pecados” (João 8:24). Quem não crê em Cristo, nem se arrepende, nem aceita o batismo (Marcos 16:16; Atos 2:38) não pode ser salvo. Não há salvação fora dEle: “Não há salvação em nenhum outro, pois, debaixo do céu não há nenhum outro nome dado aos homens pelo qual devamos ser salvos.” (Atos 4:12)

Pré-existência das almas:
“Eu era um menino vigoroso, dotado de uma alma excelente, ou antes, como era bom, eu vim a um corpo intacto.” (Sabedoria 8:19-20)
Entretanto, isso não é verdade. No caso de Adão, o primeiro homem, sua alma não pré-existia: ela foi criada depois do corpo (Gênesis 2:7). Já as demais almas, são criadas por Deus durante a formação do bebê no ventre da mãe (Eclesiastes 12:7; Isaías 42:5; Zacarias 12:1; Hebreus 12:9), nunca antes. Nossas almas são eternas no futuro, não no passado, isto é, a partir do momento em que são criadas, durarão para sempre (no Céu ou no inferno), mas não existiam antes de serem criadas, pois Deus é o único eterno em essência (1 Timóteo 1:17; 6:16).

Mitos e Lendas:

Mulher que jejuava todos os dias de sua vida:
“E no andar superir de sua casa tinha feito para si um quarto retirado, no qual se conservava recolhida com as suas criadas, e, trazendo um cilício sobre os seus rins, jejuava todos os dias de sua vida, exceto nos sábados, e nas neomênias, das festas da sua casa de Israel.” (Judite 8:5-6)

Dragões existem de verdade e Daniel matou um deles:
“Havia um dragão enorme adorado pelos babilônios. O rei disse a Daniel: ‘Você não vai me dizer que ele é de bronze; está vivo, come e bebe. Você não pode negar que é um deus vivo. Então, adore-o também’. Daniel respondeu: ‘Só adoro ao Senhor meu Deus, porque ele é o Deus vivo. Se Vossa Majestade permitir, eu mato este dragão sem espada e sem porrete’. O rei disse: ‘A licença está concedida’. Daniel pegou piche, sebo e crinas, cozinhou tudo junto, fez com aquilo uns bolos e jogou na boca do dragão. Ele engoliu aquilo e se arrebentou. Então Daniel disse: ‘Vejam o que vocês adoravam!’ Quando os babilônios ouviram falar disso, ficaram muito indignados e revoltados contra o rei, e diziam: ‘O rei virou judeu! Quebrou Bel, matou o dragão e assassinou os sacerdotes.’” (Daniel 14:23-28)

Aparentemente, Daniel é lançado pela segunda vez na cova dos leões:
“No sétimo dia, o rei foi chorar a morte de Daniel. Chegou à beira da cova e lá estava Daniel sentado tranquilamente. Então o rei exclamou em alta voz: ‘Tu és grande, ó Senhor, Deus de Daniel! Além de ti não existe outro Deus’. O rei mandou retirar Daniel da cova e jogou aí aqueles que pretendiam matá-lo. Foram devorados num instante, na presença do rei.” (Daniel 14:40-42)

Absurdos:

Anjos que mentem:
“E o anjo disse-lhe: Eu o conduzirei e to reconduzirei. Tobias respondeu: Peço-te que me digas de que família e de que tribo és tu? O anjo Rafael disse-lhe: Procuras saber a família do mercenário, ou mesmo mercenário que vá com teu filho? Mas para que não te ponhas em cuidados, eu sou Azarias, filho do grande Ananias. E Tobias respondeu-lhe: Tu és de uma ilustre família. Mas peço-te que não te ofendas por eu desejar conhecer a tua geração.” (Tobias 5:15-19)
Jesus disse que o Diabo é o “pai da mentira” (João 8:44). Os anjos maus – os demônios –, obviamente, também são mentirosos. É impossível que um “anjo do bem”, enviado da parte de Deus, tenha mentido a Tobias, porque Deus não mente (Números 23:19, Tito 1:2, Hebreus 6:18) e Seus anjos certamente também não.

Habacuc é teletransportado para a Babilônia agarrado pelos cabelos:
“O anjo do Senhor disse a Habacuc: ‘Esse almoço que você tem aí leve para Daniel, lá na Babilônia, na cova dos leões’. Habacuc disse: ‘Meu senhor, eu nunca vi a Babilônia, nem conheço essa cova!’ O anjo do Senhor pegou-o pelo alto da cabeça, carregou-o pelos cabelos e, com a rapidez do vento, colocou-o à beira da cova.” (Daniel 14:34-36)
Nota: O profeta Ezequiel foi agarrado pelos cabelos, mas em visão. Não foi literal como no caso de Habacuc.

Não podemos amparar o pecador:
“Dá ao homem bom, não ampares o pecador, pois Deus dará ao mau e ao pecador o que merecem; ele os guarda para o dia em que os castigará. Dá àquele que é bom, e não auxilies o pecador.” (Eclesiástico 12:4-5)

Devemos impedir que deem pão a um ímpio:
“Faze o bem ao homem humilde, e nada dês ao ímpio; impede que se lhe dê pão, para não suceder que ele se torne mais poderoso do que tu. Pois acharás um duplo mal em todo o bem que lhe fizeres, porque o próprio Altíssimo abomina os pecadores, e exerce vingança sobre os ímpios.” (Eclesiástico 12:6-7)

Trato cruel aos escravos:
“Para o jumento o feno, a vara e a carga. Para o escravo o pão, o castigo e o trabalho. O escravo só trabalha quando corrigido, e só aspira ao repouso; afrouxa-lhe a mão, e ele buscará a liberdade. O jugo e a correia fazem dobrar o mais rígido pescoço; o trabalho contínuo torna o escravo dócil. Para o escravo malévolo a tortura e as peias; manda-o para o trabalho para que ele não fique ocioso, pois a ociosidade ensina muita malícia. Ocupa-o no trabalho, pois é o que lhe convém. Se ele não obedecer, submete-o com grilhões, mas não cometas excessos, seja com quem for, e não faças coisa alguma importante sem ter refletido.” (Eclesiástico 33:25-30)

Devemos golpear até sangrar as costas de um escravo ruim:
“Não te envergonhes de não fazer diferença na venda e com os mercadores, de corrigir frequentemente os teus filhos, de golpear até sangrar as costas de um escravo ruim.” (Eclesiástico 42:5)

Incentivo ao ódio aos estrangeiros e aos samaritanos que são xingados de “idiotas”:
“Há duas nações que eu detesto, e uma terceira que sequer é nação: os habitantes da montanha de Seir, os filisteus e o povo idiota que habita em Siquém.” (Eclesiástico 50:25-26)

Preconceito contra as mulheres:
“A tristeza do coração é uma chaga universal, e a maldade feminina é uma malícia consumada. Toda chaga, não, porém, a chaga do coração; toda malícia, não, porém, a malícia da mulher; toda vingança, não, porém, a que nos causam nossos adversários; toda vingança, não, porém, a de nossos inimigos. Não há veneno pior que o das serpentes; não há cólera que vença a da mulher. É melhor viver com um leão e um dragão, que morar com uma mulher maldosa. A malícia de uma mulher transtorna-lhe as feições, obscurece-lhe o olhar como o de um urso, e dá-lhe uma tez com a aparência de saco. Entre seus parentes, queixa-se o seu marido, e, ouvindo-os, suspira amargamente. Toda malícia é leve, comparada com a malícia de uma mulher; que a sorte dos pecadores caia sobre ela! Como uma ladeira arenosa aos pés de um ancião, assim é a mulher tagarela para um marido pacato. Não contemples a beleza de uma mulher, não cobices uma mulher pela sua beleza. Grandes são a cólera de uma mulher, sua audácia, sua desordem. Se a mulher tiver o mando, ela se erguerá contra o marido. Coração abatido, semblante triste e chaga de coração: eis (o que faz) uma mulher maldosa. Mãos lânguidas, joelhos que se dobram: eis (o que faz) uma mulher que não traz felicidade ao seu marido. Foi pela mulher que começou o pecado, e é por causa dela que todos morremos.” (Eclesiástico 25:17-33)

O próprio autor reconhece que seu livro é medíocre:
“Por isso, aqui ponho fim à minha narrativa. Se o fiz bem, de maneira conveniente a uma composição escrita, era isso que eu queria; se fracamente e de modo medíocre, é o que consegui fazer.” (2ª Macabeus 15:37-38)

Tendo em vista tudo isso e muito mais, vemos que não é sem razão que devemos zelar pela manutenção do legítimo e verdadeiro cânon bíblico com 66 livros, pois estes outros sete livros adicionados estão repletos de heresias, lendas, mitos, absurdos e aberrações que algumas vezes chegam a beirar o ridículo. Se crermos na autenticidade canônica dos sete livros acrescentados pelos católicos, teremos consequentemente que reformular toda a ortodoxia bíblica que nega explicitamente todos os pontos mencionados acima. E, por conta disso, é importante defendermos o verdadeiro cânon e mostrarmos o porquê de os livros apócrifos serem invenções humanas, e não provirem de inspiração divina.